sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O caminho do meio e o princípio do fim!

Tomei uma decisão muito difícil há 10 anos atrás: me tornar vegetariana. Com a convicção de um lado e os "vícios alimentares" de outro fui traçando um caminho nem sempre reto, nem sempre firme. A decisão tomada me levava a modificar hábitos muito fortes, repletos de significados e sentimentos. Por vezes cheguei a comer carne, mas a consciência pesava antes, durante e depois. Me vi fraquejar inúmeras vezes, cheguei a desistir e voltei tudo ao "normal" em 2 ou 3 oportunidades durante esses anos todos. Nunca me enganei que comer animais era um fardo pesado demais pra minha percepção de ética. E o fato de ter me tornado vegetariana, de muitas outras formas, também pesava. A saga da vegetarianismo e do processo, que é difícil pra mim, nunca foi segredo pra ninguém. Gosto até de frisar que não é mesmo, até incentivo quem se interessa a pelo menos tentar, diminuir ou ir abandonando a carne gradativamente. Sei como ninguém que fazer uma mudança radical pode ter efeito contrário e a desistência por conta das dificuldades que isso implica tende a ser maior. Invejo quem faz essa mudança com facilidade.
No final das contas resolvi que ser vegetariana (ovolactovegetariana, mais precisamente) não bastava, eu continuava não condizente com o que considerava como correto em relação à comida. Ovos, leite e derivados fazem parte da mesma história que envolve criação e abate de animais, afinal.
Ontem me contaram mais um caso, com o qual fiquei, como sempre, chocada e muito triste. O infeliz do criador colocou água ou ração em um balde. A vaca se enroscou e permaneceu com o balde pendurado, sem conseguir comer ou beber água por dois dias seguidos. E pasmem: ele sabia do acontecido e foi retirar o balde no terceiro dia. Quão cruel pode ser esse fato sob o seu olhar? Para a minha visão é algo horrível e cruel. Então alguém vai dizer: - Tanta gente passando fome no mundo e você preocupada com bicho. Que hipocrisia, tsc tsc...Sabe, ambas as preocupações podem coexistir, por incrível que pareça. Me preocupar com os animais não me fez um ser humano limitado a outras questões.
Enfim, ser vegana é a porta de entrada e o gran finale da minha jornada alimentar. Decidida a dar esse passo gigantesco, sim é um passo muito largo, logo me vi vegana. E agora? Agora o bicho pegou meeeesmo!
Passei por algumas situações chatas por conta da falta de informação de garçons (ou por falta de cuidado mesmo), outras situações delicadas na família. Entre uma cilada e outra, considerei as opções: Nesse caso, eu poderia abrir mão? O que seria mais importante: Comemorar o aniversário da minha avó de 83 anos recusando um pedaço do bolo ou simplesmente comer pra deixá-la feliz? Passar fome pois naquele local não existe nada vegano ou comer algo ovo-lacto por necessidade?
Resolvi pelo mais sensato em cada situação. Ovolactovegetariana como exceção e não como regra. Carne jamé. Infelizmente esse Brasil é carnívoro. E vegetariano, pra muita gente, come peixe e frango. NÃO, eu não desisti do veganismo. Mas resolvi seguir o caminho do meio. Não vou sair por aí consumindo alimentos ovo-lacto por comodismo, mas por falta de opção mesmo.
Ando menos produtiva no blog por vários motivos. Voltei a trabalhar, estou consumindo livros, periódicos e vídeos sobre o assunto nas horas livres. O mundo inteiro pode me criticar agora. - Olha, falei que isso era um absurdo.
Com razão. Essa sociedade que ama dizer que adora cachorro e gato, mas acha normal comer outros animais é hipócrita mesmo e adora crucificar quem quer fazer diferente. Consumimos carne em demasia, sem necessidade e sem cuidado nenhum com a qualidade de vida que esses animais tem durante a criação e no abate em si.
Resolvi seguir o caminho do meio pra chegar, enfim, ao fim que espero como ideal.
*Lembrando que não voltei a ser ovolactovegetariana, mas considero a hipótese em casos muito específicos. É isso!



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